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O YOGA E A ALQUIMIA INTERIOR

  • Foto do escritor: Marcelo Augusti
    Marcelo Augusti
  • 26 de jul. de 2023
  • 4 min de leitura



Assim como quando se examina uma pintura ou um artesanato, e se fica admirado com ela, pode-se adivinhar muitas coisas sobre o seu autor, da mesma forma, o homem sempre pensou que desvendar o mistério do cosmos e da existência o levaria para mais perto daquela força misteriosa que os criara (Marie-Louise von Franz)



O yoga nos conduz ao “despertar” da consciência. Quando alcançamos um estado de consciência que amplia a nossa percepção da realidade, dizemos que a nossa mente se “iluminou”. A mente iluminada pela “luz” da consciência torna-se atenta aos movimentos da vida, até mesmo os mais sutis.


Ao descerrar o “véu da ilusão” (maya) que anuvia a consciência, ao despontar a sua luz, o yoga também nos mostra os limites da nossa própria mente e, ao mesmo tempo, nos conscientiza do quanto ainda temos que ser persistentes e consistentes se quisermos avançar no caminho para o Ilimitado.


A mente iluminada se capacita a ir ao encontro do desconhecido, ou seja, daquilo que ainda não emergiu sob a luz da consciência. O desconhecido necessita tornar-se manifesto. O inconsciente representa, assim, a escuridão da ignorância e, ao atravessar esse “vale de sombras”, é que nos deparamos com o medo do desconhecido.


O discernimento (viveka) apenas emerge em buddhi (o intelecto, a razão), sob a luz da consciência, enquanto a ignorância é tudo o que permanece desconhecido, no escuro, no inconsciente, sem a luz da consciência para iluminar o “vale de sombras”. O “mundo interno”, portanto, sem a luz da consciência, torna-se assustador, com nossos “fantasmas e demônios” a nos assombrarem na obscuridade do inconsciente.


O medo do desconhecido se aloja no “mundo interno” enquanto esse permanecer na escuridão; esse medo primitivo se encontra no fato de que o ser humano pode pensar e desejar coisas aos quais não estão claras e distintas em sua consciência. Portanto, é nos limites de uma consciência contraída que o medo do desconhecido se mostra tanto no “mundo interior” quanto no “mundo exterior”, sendo a escuridão da noite e a morte os maiores temores a serem enfrentados.


O “despertar” da consciência, logo, é a maior conquista do ser humano, pois é a “luz da consciência” que põe fim aos nossos temores mais primevos. É esse emergir da consciência com sua luz a iluminar buddhi, que nos esclarece sobre o sentido da vida e o significado da existência.


Quando falamos em “alquimia interior”, nos referimos aos processos internos que, alavancados pelos métodos e técnicas do yoga, contribuem para o “despertar” da consciência. É a “luz” da consciência que necessitamos para nos esclarecer sobre o desconhecido e tudo o que jaz na escuridão do inconsciente.


Alquimia é a busca do mistério da Divindade que se “oculta” na matéria. Há algo na matéria que lhe concede vida; uma energia vital, que no yoga se denomina prana, que é a substância única da qual tudo o mais subsiste. Mas não apenas prana, porém, algo que é a essência de tudo o que existe, um princípio cósmico e ao mesmo tempo individual que, quando revelado pela “alquimia interior”, é a conexão entre o humano e o divino, o que separa o mortal do eterno, o finito do infinito.


Logo, a “alquimia interior” está fundamentada em um saber que busca a compreensão das relações cósmicas entre o humano e o divino, entre as relações da luz com a escuridão. Assim, o que está “oculto” está no inconsciente, na escuridão, e virá à tona pelo discernimento apurado de buddhi (intelecto), somente quando este se iluminar pelo despertar de citta (consciência).


Esta “alquimia interior”, portanto, possui a capacidade de eliminar as limitações cognitivas, considerando-se que tais limitações nada mais são do que o resultado do confinamento de uma consciência capturada pelos desatinos da imaginação e da memória (manas). No processo alquímico, duas ideias básicas norteiam a prática: a unidade matéria-espírito, humano-divino; e um poderoso princípio transformador que, ao ser revelado pelos métodos e técnicas ióguicas, promoverá a transmutação da consciência.


A alteração do estado de consciência, do entorpecimento para o despertar, logo, apenas é possível quando a mente está quieta e sob controle. Asanas e pranaymas são práticas que promovem a quietude e o controle da mente. É nesta quietude que emergirá o “silêncio interior”, que é a condição fundamental para que a “centelha divina” se revele em nós como o princípio ativo que transformará a escuridão do inconsciente na luz da consciência.


No yoga, é o estado meditativo (dhyana) que faz emergir o “silêncio interior” para que a “alquimia interior” se realize. Esta alquimia é capaz de transformar a nossa mente obscurecida em “ouro”, isto é, em uma mente perfeita e incorruptível. E esta mente perfeita e incorruptível será o nosso “elixir da vida”.

A meditação, portanto, é a principal via de acesso ao “mundo interior”, o meio pelo qual, vislumbra-se a Divindade. A Divindade se revela no “silêncio interior” pela luz que emana da “centelha divina” – o princípio cósmico e individual, que no yoga se denomina Atma.


Este Atma emerge do inconsciente no momento interno correto, no fluxo do estado meditativo, que apenas pela prática da concentração e atenção plena se pode alcançar (como se diz na tradição do yoga, quando o discípulo está preparado, o mestre aparece). Eis a transmutação da consciência proporcionada pelo yoga e pela “alquimia interior”.


Hari Om Tat Sat.

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